sábado, 4 de outubro de 2008

Orelhas

Rosimar

Lendo suas poesias pude descobrir sua alma, pude descobrir a pérola que é você. Entretanto, urge partir a concha, para que possa brilhar ao sol, num desafio às falsas imitações, aos falsos brilhos.
Pude descobrir os seus anseios, os seus ideais, pude ler as suas reticências, os seus silêncios e pude, sobretudo, sentir suas amarguras.
Rosa e mar = beleza e potência, perfume e imensidão. Você é ISTO.
Mostre, pois, suas belas qualidades procurando andar por outros caminhos, onde não haja tanta desilusão, onde possa simplesmente, livremente GARGALHAR.

Rita Luz
Pacoti

A ROSA, O MAR E A POESIA

De repente eu senti necessidade de escrever sobre sua poesia.
Comparo-a às ondas do mar, ora agitadas e revoltas, ora tranqüilas e serenas.
Admirei sua facilidade de ser e demonstrar o que realmente é: mulher, mãe, poetisa.Aquela que sabe amar, porque todo poeta é um misto de amor, carinho e sensibilidade. Assim é sua poesia: aqui exaltando a rosa; além, decantando o mar do seu nome.
Você sabe dedilhar a harpa sonora do seu ser e a lira inspiradora de sua poesia. Às vezes extasiada diante da beleza do pôr-do-sol, da paisagem de sua janela, ou, contemplando em sonho, a beleza do cisne, o palor da lua e a fulgência das estrelas.
Muitas vezes você se apresenta, despojada de tudo, entregue simplesmente à beleza de ser mulher.
A liberdade de fazer poemas para os amigos...
O desejo de ser poeta. Como? Se a poesia já aflorou nas fontes do seu ser?
Tudo isso caracteriza a sua poesia, que, como o Sol, é preciso despontar radiosa, cheia de calor e vida para iluminar nossa cultura e ser um ponto luminoso, que, a exemplo do Sol Divino, tonifique o nosso ser.

Ir Lúcia Orestes

CANÇÃO PARA A ROSA TRISTE

Fiz para uma Rosa esta canção com emoção
Ao vê-la triste e solitária em seu jardim
Ninguém quis colher para ofertar a sua amada
Essa rosa perfumada, matizada de cetim.

Ser para o poeta a mais sublime inspiração
E com devoção estar junto a Deus, em seu altar,
È bem melhor que ser rainha na roseira
Tendo só por companheira a luz fria do luar.

Sofro agora a mágoa dessa rosa dolorosa
Que já agoniza no seu leito de espinhos:
E as outras flores não escutam seus queixumes
Porque sentem ciúmes por lhe dar os meus carinhos.

Vai murchar a rosa, tão formosa, vou sentir,
Pois nem minhas lágrimas são alívio a tanta dor
Mas vou transforma-la em lindas notas musicais
E os acordes divinais entoarei em seu louvor.

José Augusto de Oliveira
Rio de Janeiro,05.08.92

Á MINHA MANA

Andas tão triste, calada
Parece do mundo querer se esconder
A desilusão te deixou arrasada
No teu rosto se estampa o sofrer

Não brigas e tudo aceitas
Com resignação
O manto cruel com suas facetas
Dilacerou o teu coração.

A tua alegria se foi com o vento
Aquele vigor desapareceu
Agora parece que o sofrimento
O teu lindo Sol escondeu.

Você que outrora com a Lua falava
A flor e ocaso eram teus confidentes
A linda palmeira que te inspirava
Hoje pra ti tudo é indiferente.

O que te fizeram?
Não queres lutar?
Te dás por vencida!
Tens medo de amar?!?!

Os teus sentimentos
Não vão muito bem!
Aproveitas os momentos
Sem ligar pra ninguém.

Por mais que tu queiras
Dizer-se capaz
Um ombro quentinho
Nunca é demais.

Eu tenho certeza
Que vais superar
É mais uma prova
Pra ti, ROSIMAR!!!

Lucimar Brito
21.07.95

SALVAGUARDA

Ser mãe é ser mão de apoio quando tendemos ao chão
Apóio-me de antemão nos seus sonhos ufanistas diante da imensidão
Ser mãe é transparecer-se em Paraíso das zonas de conforto
É ser um Céu e ganhar um troféu ilusório a cada conquista do rebento seu

Prole benta e rebenta que lhe rebenta, muitas vezes, a paciência
Assume, então, a posição de:
Treinador: _Levante! Não desista!
Técnico: _É desse modo!
Advogado: _ Conseguirei o alvará.
Capitão: _Vamos lá! Corrija isso!
Juiz: _ Sua punição é essa. Sem fiança!
Psicólogo: _Conte-me o que lhe atormenta.
Bombeiro: _Não se mexa! Você pode ter fraturado algo.
Médico: _O remédio é esse.
Enfermeiro: _Você precisa descansar.
Professor: _Reflita comigo: isso tem razão de ser?
Profeta: _Se fizer isso acontece aquilo.
Historiador: _Comigo aconteceu diferente...
E tantos outras são as vocações natas de uma mãe...
Até de:
Vigário: Deus o abençoe.

AROLDO FILHO
Fortitudine-CE, 14/12/2006

PREENCHENDO VAZIOS

A Poesia é mais verdadeira que a História
(Aristóteles)

Disse certa amiga minha que escrevia para preencher vazios. Plagiando suas palavras eu afirmaria o mesmo, acrescentando apenas que, além disso, vou também organizando páginas soltas e tentando passar a limpo o rascunho, sempre inacabado, dos momentos sombrios ou felizes de minha vida.
Vou rabiscando folhas em branco na tentativa de traduzir sentimentos e emoções, com palavras talvez insignificantes para os outros, mas de extrema importância para mim, porque foram ditadas pela voz do coração, em momentos muito especiais.
Estas páginas são o retrato falado de minhas lágrimas choradas e sufocadas no mais fundo d’alma. Falam de meus silêncios e de minhas reticências, de minhas alegrias e conquistas. Contam a história de meus anseios, amarguras e de minha luta pela felicidade no amor; e revelam a mulher que sou: romântica e sentimental, dona de um coração que ama, sofre e espera. Mulher que é capaz de pensar como adulta, sonhar como adolescente e chorar como criança perdida. Mulher que vive intensamente a emoção do momento, que às vezes se desespera mas logo recupera a paz e a serenidade de quem acredita num futuro mais ameno; Mulher que defende o amor, a amizade e a união, sem esquecer que na vida tudo é efêmero.
Embora reconheça que as palavras jamais conseguem traduzir, fielmente, todas as nossas emoções (e intenções), acredito que os meus poemas falarão de mim às pessoas que me foram queridas, quando um dia eu já não puder estar entre elas, quando eu simplesmente me chamar “SAUDADE”.

Rosimar Brito

DEDICATÓRIA

A quem aceitou ser uma vez Pai e quatro vezes “Pai Bento” para uma filha
Exigente e às vezes mimada:
AMOR ENORME
INFINITA GRATIDÃO
DESCULPAS MIL...
(Papai)

A quem, mesmo desconhecendo o Alfabeto, ensinou as maiores e melhores lições de vida a uma filha-aluna muitas vezes atrevida
MUITO AMOR
SINCERO RECONHECIMENTO
MIL PERDÕES
(Mamãe)

A quem realizou o mais lindo e maior sonho de uma mulher _a Maternidade
IMENSO AMOR
DEDICADO CARINHO
(Filhos e Esposo)

A quem compartilhou infância, ternura e sacrifícios e foi cúmplice das travessuras de uma garota que brincava de Professora e de Mãe:
AFETO PROFUNDO
CORDA DE CORAÇÃO
(Irmãos)

A quem ensinou as primeiras letras do ABC a uma menina que ficou encantada ao aprender a letra “R”:
AFETO SINCERO E CORDIAL
(1a Professora – Candinha)

A quem, com entusiasmo e orgulho de ser mestre, ensinou a amar a “Última Flor do Lácio” a uma aluna aplicada:
ETERNA ADMIRAÇÃO
GRANDE PERDA
SAUDADES
(Professor de Português – Francinet Batista –

Saudosa Memória

A quem, numa sala de aula, foi o problema que solucionou o problema de uma Professora – a vocação:
GRANDE BENQUERER
(Alunos sempre)

A quem ensinou que o amor é apenas um sonho lindo, mas que vale a pena sonhar, a uma jovem romântica e apaixonada:
SAUDOSO ADEUS e
O POEMA ‘AMO’...
(1º Amor)

A quem, com a chave do perdão sagrado, sempre abriu as portas da Casa do Pai para uma filha pródiga:
HUMILDE OBEDIÊNCIA
CONFIANTE AMIZADE
IRREPARÁVEL PERDA
(Confessor Pe. Kiliano)
In Memórian –

A quem foi motivo para a criação de muitas frases ditadas por um coração que gritou no silêncio a emoção de sentir:
CARINHO e
TERNURA e
A certeza de que VALEU!
(Amigos... Alguém)

A VOCÊ que, de uma forma qualquer, tenha cruzado o meu caminho, e entenda, por isso, o porquê destes rabiscos.
(Leitor)

Rosimar Brito
Pacoti – Ce

APRESENTAÇÃO

Um dia,
Ainda menina,
Rabisquei um poema

Gostei de escrever.

Mais tarde,
Jovem sonhadora,
Compus alguns versos

Quis ser escritora.

Depois,
Adulta e senhora,
Deixei de brincar
Parei de sonhar

Mas não de escrever.

E agora,
Crescida, mulher,
Brincadeira e sonho
Com a realidade
Decidi somar

Aí estão os poemas
Que resolvi mostrar.

Rosimar Brito

O LIVRO

De um sonho nasci
Verde folhinha ligada à árvore
Fui brinquedo de uma criança

Depois virei botão
E tive a cor das ilusões
De uma adolescente

Mais tarde me colori
Com as paixões da juventude
Desabrochei, virei flor
Preso ao galho continuei
Sem me deixar conhecer.

Hoje sou fruto maduro
E tenho o sabor acre-doce
Dos momentos de uma mulher.

Sou retalhos, lembranças,
Reticências, vazios,
Saudades doídas,
Verdades escondidas,
Desejos secretos,
Surpresas... silêncios
Mistérios!...mosaico.

Sou “fruta no ponto”
Ainda no pé.

Rosimar Brito

MOMENTOS

Relíquia de horas marcadas – EMOÇÃO
Oásis no deserto d’alma –FANTASIA
Sândalo perfumando a vida – POESIA
Amor-escárnio!... – DITAMES DO CORAÇÃO

E no relógio do Destino... SILÊNCIO...

Momentos...poemas trôpegos, afônicos, pueris!
Aqui...além...mais longe...Talvez no mar
Revelando o segredo da rosa: SONHAR1...
Rosimar Brito
CORTINAS ABERTAS

Marcas e sonhos
Ditames do meu coração.
Cada poema uma história
Cada momento uma razão
Cada palavra um cristal.
Palavra também vira punhal!
E nas entrelinhas...

Rosimar Brito

POESIA

Poesia
É criança linda
Que nasce
Sem a maiêutica
Do Dicionário

Poesia
É pérola escondida
Na ostra
De um coração
Errante.

Rosimar Brito

ESPERA


A Poesia não marca hora
Nem lugar
Para chegar

Há muito espero
Sua batida
À minha porta...

Varou madrugada,
Despediu-se a Aurora
Chegou meio-dia
E ela não veio.

A tarde passou
E veio o Ocaso
Depois, Lua cheia
E ela não chegou

Quando será
Que a Poesia virá
Me fazer uma visita?

Rosimar Brito

SER POETA

O Poeta não precisa
Se fazer conhecido
Basta ser reconhecido.

Seus motivos ficam à parte
Importa, apenas, a arte.

Perdem o sentido
Suas razões
Interessam somente
As expressões.

Para ele só uma coisa tem sentido:
Ser lido
Seus poemas têm apenas um motivo:
Mantê-lo vivo.

Para ele só há uma alegria:
A Poesia.

O resto é... nada!


Rosimar Brito

AINDA A POESIA

Um tilintar
Vindo de longe
Me arrancou da cama

É o caminhão do gás
-pensei-

Corri pra janela
Era a Poesia
Em sua carruagem
Distribuindo magia.

Quando serás
Que ela virá
Abastecer
Minh’alma vazia?

Rosimar Brito

SONHO I

Um sonho antigo
Perseguido
Sofrido
Um sonho insistente
Persistente
Resistente
Um sonho chamado
CRESCER.

Um sonho valente
Sonho de muita gente
Sonho de quem não desiste
Da busca, da luta
Pela conquista
Do SABER.

Um sonho de muitos corações
Um sonho daqui
Um sonho de lá
Sonho que já começou
A se realizar
Sonho cujos resultados
Somente o futuro
É quem nos dirá.
Porém o importante
Não é apenas sonhar
Mas OUSAR
Criar
Realizar.
E esta linda utopia
Que hoje se concretiza
É a Poesia que chega
Formando aliança
Semeando esperança
Para que a Arte
E a Cidadania
Salvem esta região.

Rosimar Brito

SONHO II

Quando eu for poeta
Juro que vou morar
Num castelo encantado
Que descobri
Do outro lado
Do Pôr-do-sol



E lá,
Eu tenho certeza,
Realizarei o meu sonho:
SER POETA!

Rosimar Brito

ESTRELA

Quando eu for poeta
Todos hão de ver
Vou mudar daqui.

Vou comprar passagem
No bonde da tarde
E morar de vez
Naquele crepúsculo
Que enfeita
A minha janela.

E à noitinha
Vou comer pipocas
E passear no parque azul.

Vou brincar de esconde-esconde
Com a Lua prateada
E caminhar de mãos dadas
Com as estrelas.

Rosimar Brito
SONHO AZUL

‘Eu sou como sou
e não como quero” –
-diz a canção-
mas espero

A felicidade
Um dia virá
Fazer morada
Em meu coração.

A Poesia, banhada de sonhos,
Canta em minha janela,
A doce canção da brisa
Na aquarela viva do alvorecer.

A Natureza,
Qual noiva faceira,
Pinta, em sua tela,
Uma linda cortina
Tecida de sol
Na paisagem virgem
Da minha janela.

No panorama, a palmeira
A Virgem da torre
A casinha da colina,
O Santuário
E ainda a chaminé
Denunciando o primeiro café.

Passarinhos
Abandonam os ninhos
Espalhando melodia
Em meu coração
De criança feliz.

No muro em frente
A festa dos pardais
E no fio elétrico
As andorinhas
Todas iguais.

E eu já não preciso
Esperar
A felicidade chegar.

Rosimar Brito

B U S C A

Aqui...
Ali...
Além...
Deserto
Silêncio
Solidão...
Coração vazio
Vai...
Vem...


Buscando
Alguém...

Rosimar Brito

MOTIVAÇÂO

Não importa a arte literária
A forma não revolucionária
A filosofia de vida – ultrapassada
Não importa nada
Apenas a emoção de escrever
Apenas o lado mulher
Do coração que teima em
RENASCER1...

Rosimar Brito

DESEJO

Raia o dia
Nasce a flor
Sem dor de parto
Sem trabalho remunerado
Sem sonhos de menina

A flor é só beleza
E felicidade
Da natureza aprendeu
A lição da vida
Sem nunca ir á escola.

Quem dera ser essa flor!
E nada mais do que sou,
Ser apenas POESIA...

Rosimar Brito

DEVANEIO

Fantasia, deusa do meu coração,
Empresta-me tuas asas
Quero voar pelo céu da ilusão
Sonhar que sou amada
Sentir que ainda sou mulher
E fingir que sou feliz...

Quero vagar pelos caminhos do Sol
Perambular por aí, de déu em déu
E num raio de luar me esconder
Para escutar os segredos das estrelas.

Quero ouvir de um passarinho
Que sou uma Cinderela
E que as flores invejam-me
Porque nasci Nefertári

Deixa-me ser, fantasia, um Querubim
Vem, minha deusa, em teus braços me embalar

Deixa-me sonhar!...
E depois...
Morrer assim...

Rosimar Brito

TÉDIO

Às vezes fico assim:
Sem gostar de mim
Sem querer querer,
Sem sair da cama
Mesmo sem dormir

Sem querer chorar
Sem querer sorrir
Sem querer cantar
Sem querer falar
Com preguiça
Até de pensar.

Não quero escrever
Ler não me interessa
Tenho muito a fazer
Mas perdi a pressa.

Aqui,
Só meu leito quente,
Meu silêncio amigo,
Minha janela
Banhada de céu
Sem nuvens.

Lá fora ,
O colorido das ilusões
A loucura das paixões.
Lá fora, a vida – o amor
E também a morte – a dor.

Aqui:
Eu entregue a mim...

Rosimar Brito

PAIXÃO

Sou uma eterna apaixonada
Pela vida
Por mim mesma
Por meus filhos
Pelos livros
Por você.

É esta a razão do meu sorriso:
Amo a vida
Amo a mim mesma
Amo meus filhos
Amo os livros
Amo você.

Se paixão é ruim,
Eu não sei.
Se paixão é fatal,
Ai de mim
Que não sei mais viver
Sem ter uma paixão!...

Rosimar Brito

A M O

Amo esta vida em que te encontrei
Amo o lindo sonho do nosso passado
Amo as noites frias em que por ti chorei
Amo-te, embora me hajas desprezado.

Amo os meus poemas que a ti dediquei
Amo este silêncio que fala de ti
Amo teu olhar triste que já não sorri
Amo tuas palavras em que acreditei.

Amo tua voz. Amo até esta saudade
Que em nossas músicas me faz reviver
Mesmo que já morta a nossa felicidade

Amo meu coração que não quer te esquecer
Mas é tão cruel esta realidade
Sentir tanto amor e não poder dizer!

Rosimar Brito

MIRAGEM

Você chegou
Como quem chega de vez
E fez pousada
Em meu coração.

De malas prontas
Se instalou em mim.

Chegou feliz,
Sorriso aberto.

Tudo certo!
“Pode ficar” – falei
Mas você
...não ficou...

Rosimar Brito

NO PARQUE

Quermesses...
Leilão...
Encontros marcados

Barracas...
Tiro ao alvo...
Músicas...
Recados...

Segredos...
Jogos...
Folguedos

Passeios na Avenida.
Na Roda Gigante,
Colorida,
Namorados
Abraçando a vida...

Que saudade
Do tempo
Em que meu coração
Não sabia de nada!!!...

Rosimar Brito

SEGREDO

E todos pensam que ela
Fica horas na janela
Só por causa da palmeira
Só por causa das estrelas
Só por causa do luar
Só por causa da canção.

Mas ninguém sabe que ela
Sonha,sonha na janela
Só por causa de um olhar
Só por causa do veneno
Do sorriso de um moreno
Que lhe enfeitiçou o coração.

Rosimar Brito
M A G I A

Você
Me fez menina
Me fez mulher
Me fez sonhar
Me fez VIVER.

Você
Compreendeu o meu dilema
Sem necessidade de explicação.
Não fez exigências
Nem julgamentos.
Não me condenou.

Com você
Esqueci o medo
E as convenções.
Esqueci a tristeza
E a solidão.

Com você
Esqueci o mundo
Esqueci de tudo
E só me lembrei
De ser feliz...

Rosimar Brito

FASCINAÇÃO


Eu amo o Mar...
O Mar que não espanta
Só canta
E encanta...

Eu amo o Mar...
O mar do teu nome
E também do meu...

Eu amo o mar...
O mar dos teus olhos
E dos meus sonhos...

Eu amo o mar...
O mar dos poetas
E das Sereias...

O nosso Mar...

Rosimar Brito

FELICIDADE

Você acariciou o meu olhar
E lavou o pranto
Que nele viu rolar.

Você varreu a tristeza
Do meu coração
Preencheu o vazio
Que havia em mim
E aplacou a tempestade
Que inundava
Minha solidão.

Você acariciou minha alma
Amargurada e triste
Acalmou o medo que me atormentava,
Sussurrou palavras de amor
Ao meu ouvido
E, depois que me deu
De presente o Paraíso,
Guardou o segredo
Do meu sorriso...

Por isso meu coração lhediz:
_É de você que preciso
para ser feliz.

Rosimar Brito

GOTAS DE FELICIDADE

O sonho-menino
Que o teu olhar brincalhão
Acordou em meu coração
Tem gosto de Poesia.
No delírio do desejo
E na carícia do teu beijo
Conheci o céu,
Alcancei o arco-íris.
No acalanto do teu abraço
Senti a doçura
E a maciez de uma Flor-de-lis
A esmeralda que trazias no olhar
Enfeitou minha vida de esperança.
A teu lado,
No idílio de momentos tão risonhos,
Realizei todos os meus sonhos:
Voltei a ser criança.

E no azul dos meus sonhos
Ao teu imenso carinho
Me entreguei feliz...
Alcancei o Paraíso
E vivi um amor sem fronteiras.
Na ternura de teu sorriso
Quantas emoções!
Quantas sensações
Bailando em meu ser...

Em teu corpo
Deixei o meu perfume.
Em meu corpo
Guardei a essência
Do teu cheiro.
Adorei ouvir
Tua canção de amor!

Diz novamente que me ama!
Canta de novo para mim
Aquela nossa canção...
Era tão gostoso ouvir
Tua voz apaixonada
Emocionada
Sedutora!...
Era tão bom saber
Que teu corpo
Desejava
O meu corpo de mulher!

Vem repetir em mim
A tua receita de felicidade
E despertar outra vez
O sonho-menino
Que está novamente dormindo
Em meu coração...

Rosimar Brito

POR QUE TE AMO

Eu te amo porque
O teu sorriso
Enxugou a minha lágrima
Mais triste
E o teu carinho me provou
Que a solidariedade
Ainda existe.

Eu te amo porque
O teu olhar
Acariciou o meu coração
E a tua voz, suave e rouca,
Aplacou a fúria louca
De minha alma em vulcão.

Eu te amo porque
O teu beijo
Saciou o meu desejo
E o teu abraço
Aqueceu meu corpo hirto de solidão.

Eu te amo porque
O teu amor preencheu o meu vazio
E o teu silêncio
Guardou o meu maior segredo.

Eu te amo porque
A coragem dos teus gestos
Fez-me forte e capaz
De vencer meu próprio medo.

Eu te amo porque
O teu carinho me fez menina
E me fez mulher;
Me fez escrava
E me fez rainha

Eu te amo porque
O teu amor
Me fez
RENASCER...

Rosimar Brito

TESTEMUNHA

Céu azul
Noite calada
Brisa mansa
Quietude
Eu e você...

E a Lua
Prateada
Brincando
De esconde-esconde
Tentando flagrar
Nosso amor...

Rosimar Brito

ENCANTO

No mar dos teus poemas
Eu naveguei
E me senti
Rosa-menina
Rosa-morena
Rosa-mulher

E me encantei
E me perdi
E me transformei
Em rosa-pequena...
NAUFRAGUEI...

Rosimar Brito

MARCIANO

Você acordou minha poesia
E eu sonhei
Sorri
Cantei
ACREDITEI
RENASCI!

Você matou minha ilusão
E eu sofri
Chorei
Adoeci de tristeza
Quase morri
Mas... ACORDEI!
SUPEREI!

Fiz de você doce poema
Que me embalou de emoção
Fiz de você figura ímpar
Tão pura
Tão limpa
_amarga decepção!...

Que pena!
Você quebrou meu encanto
Magoou meu coração
_ingênuo engano _
Você é anjo maldito
Você é lobo humano
E eu estava encantada
Deslumbrada
Apaixonada
Por um MARCIANO!

Fui enganada!...
Você para mim era tudo
E agora é nada!

Rosimar Brito

DESENCANTO


Quando minha janela
Está de braços cruzados
O pau d’arco não quer mais
Vestir seu traje de sol;
A palmeira elegante se nega
A namorar o vento;
O ocaso recusa-se
A purpurar o horizonte;
A Lua e as estrelas vão dormir
Sem me dizer boa noite.

Se a minha janela
Não está de braços abertos
Guardo o meu sorriso
Para quando o sonho voltar.

Quando minha janela
Está triste como eu
Só a Virgem do céu
Do alto da capela
Continua a derramar
Luz e graças
Sobre a cidade
Cega,
Surda
E muda.

Rosimar Brito

F U G A

Realidade
Não grite comigo
Ainda é tão menino
O meu coração!...

Deixe-me entregue
Aos meus poemas
Desajeitados
Esfarrapados
Cansados
Peregrinos
Em meio
Do caminho...

Deixe-me brincar
Com flores
Estrelas
Borboletas
Lua cheia
Arco-íris
E canções.

Abraçar o horizonte
E encher a alma
De cores,
Luzes,
Sonhos,
Emoções...

Deixe-me esperar,
Sossegada,
O crepúsculo
Dos meus dias
Até que venha a noite
A noite que trago n’alma
Envolta em tantos mistérios!...

Realidade,
Não grite comigo!
Eu tenho medo
Vou contar-lhe
O meu segredo:
Ainda estou apaixonada!

Rosimar Brito

CULPA

Por causa da tua ausência
Este poema nasceu
Chorando

Por causa da tua indiferença
A minha canção de amor
Caiu no silêncio

Por causa do teu adeus
O meu relógio chora
De saudade

Por causa da tua distância
Não durmo direito
E acordo, sozinha,
Com a minha dor

Por causa do teu abandono
O meu coração está doente
De amor

Por causa da tua ingratidão
Fechei o meu Diário
De RECORDAÇÕES...

Rosimar Brito

DEPOIS

De uma vida de sonhos
Restou um silêncio doído
Sem explicações.

Dos castelos e planos,
Só desilusões.

Vazio... vazio... interrogações

A menina-mulher
Recusa o afeto
Do colo macio;

O coração calado
Mergulha no escuro
Da indiferença.

E a vida se esvai
Como espuma na areia
E se transforma em nada
Qual bolha de sabão.


Rosimar Brito

JOGO DA VIDA

A realidade
Sem piedade
Chutou forte
O meu sonho:
_ fatalidade –
Gol!!!

E a minha felicidade
Foi parar
Nas estrelas...

Rosimar Brito

RISCO

Talvez um sonho
Suponho
Talvez um dia
Quem sabe...?
Talvez acerte
Ou erre

Não sei, não sei!...

Já não duvido de nada
Também já não acredito
Em tudo

Vozes
Silêncio
Barulho

Tesouros raros
Entulho
Realidade
Utopia
Vida
Estrelato
Mente vazia
Retalhos.

Rosimar Brito

HONRA

Quem entende para julgar
O preço que pago
Pelo que considero VALOR?

Quem percebe o que esconde
A minha maquiagem:
O feio do rosto
Ou a minha FALSA IMAGEM?

Qual o preço do conto
Que eu conto?
Quem sou eu:
A Bela?
A Fera?

Máscaras e pérolas
Nesta vida
Atrevida.

Lusco-fusco
Sons e cores
Mundos de falsos valores
Desencantos
Avelãs
Ceticismo
Ostracismo
Sofismas
Ingenuidade

Doce ilusão!...

Rosimar Brito

POEMA TRISTE

Um dia
Pelas estradas ilusórias
E coloridas da vida,
Eu te segui
Para ser feliz.

E tudo fiz
Para merecer
Esta felicidade
Mas tu não deste valor
Ao meu sincero amor.

Hoje,
Pelos caminhos incertos
E sombrios do Destino,
Eu te digo adeus
Para seguir sozinha
A minha realidade.

Teus filhos me seguem
Foi o que lucrei de ti
Para lembrarem-me os dias
Que a teu lado vivi.

Não vai ser fácil,
Eu sei
Suportar, sozinha,
Minha solidão.

E dias virão
Que me farão pensar
Em desistir do futuro
Mas, por nossos filhos,
Eu juro
Que vou ter coragem
De seguir decidida
Minha longa viagem.

Que sejas feliz
É minha vontade
E que desfrutes bem
Tua liberdade.

Adeus!

Rosimar Brito

SER MULHER

Dizia-me a Ilusão:
_Observa ao teu redor
não vês a vida
A sorrir em flor?

Por que te deixas, então,
Ser escrava num fogão
Se conheces teu valor?
Como aceitas ser, na cama,
Boneca de porcelana
De quem não te tem amor?

E me lembrava a razão
As palavras sem emoção
Na queixa que um dia lhe fiz:
_ O jovem romântico
Me sussurrou:
_És um sonho!...
E nesse sonho eu viajei.

O Poeta feiticeiro
Me falou numa canção:
_És uma flor.
E eu me envaideci...

O aventureiro exclamou:
_És um estrela!
E eu me deixei alcançar...

O andarilho sonhador me segredou:
_És uma Fada!
E eu sorri feliz...

Todos me viram
Como nunca fui:
Menina ingênua,
Moça faceira,
Princesa ou Rainha,
Deusa, Musa,
Santa ou Pecadora.

Para muitos fui amiga
Irmã e até conselheira
Fui Cleópatra ou Dulcinéia;
Fui Maria ou Madalena,
Verônica, Judith, Éster...

Só não fui, meu Deus,
Que pena!
Só não fui aos olhos deles
O que realmente sou:
MULHER!

Rosimar Brito

CONTRASTE

Diante dos meus olhos,
Bordada de luz,
Se expande
A cidade grande.

E no Livra da Vida
A noite escreve
A história dos homens:
De um lado, a prisão
O casebre
A solidão;
Do outro, o dinheiro
O poder
A mansão

Miséria
Vício
Luxúria
Paixão

Aqui, o grito:
_Existo!
Ali, o lamento:
_Desisto...

E nas esquinas da vida
O Destino conta histórias
lágrimas... sorrisos,
encontros... adeuses,

sonhos dourados
desejos proibidos
paz... guerra
céu... terra
tudo... nada!

Rosimar Brito

EROTOMANIA

Na cumplicidade da noite
O gole
O trago
O som
O mergulho no olhar

Nas meias-palavras
A intenção
A sondagem
O charme
A febre
A caça ao tesouro

No toque, a cobiça
No beijo, a delícia
O delírio
A emoção
A malícia

No abandono a dois
O perigo
O abismo
O cataclismo
O depois

No quarto proibido
A permissão

No mapa explorado
A explosão do prazer
O desejo saciado
O relax e...
Na erotomania
A certeza
Do nada...

Rosimar Brito

REMINISCÊNCIAS

Cada um dos irmãos atendia por um pseudônimo.
O meu era Nenca, que me foi dado pra minha irmã caçula.
Faltavam ainda nascer dois dos sete filhos que completariam a alegria daquela casinha de taipa. Casinha de apenas três cômodos: uma sala, um quarto e a cozinha.
Quase no meio da sala uma forquilha sem qualquer utilidade aparente.
A cama era o único móvel. Fogão à lenha, paredes baixas, duas portas e nenhuma janela.
No oitão vários cortiços e o exemplo de trabalho das abelhas.
Não havia preocupação com a linguagem, nem com a aparência física. A única Lei que imperava, de manhã à noite, era inventar e sorrir para eternizar os momentos de prazer.
Eram desconhecidos os significados das palavras: guerra, inflação, desenho animado, novela, e outros mais que hoje fazem parte do vocabulário da gurizada.
Só a Paz reinava na humildade da casita de chão batido.
E, diante das radículas secas de capim, imaginação e alegria explodiam em mim.
_ Óia, negrada! Vem cá!... [Óia aqui no assero! Tem é muito passarinzim!
E a garotada, em coro, respondia animada:
_Tráis, Nenca, tráis!...
Na verdade, esse idioma não era estrangeiro, nem código secreto. Só era plenamente entendido.
Era assim o dia todo. Assim era a vida inteira: Inocência, Pobreza e Felicidade morando na mesma casa; Liberdade brincando no terreiro.
Não havia muros, nem cercas, nem ruas, nem quintal. O terreiro emendava com a roça pequena e caseira onde os pés de mandioca cresciam viçosos para, de suas raízes, mamãe fazer “beijus de caco” e papai fazer farinha para vender na feira aos domingos. Farinha que a criançada, conformada, comia com feijão (feijão de corda). Farinha que a meninada, esfomeada, comia com sal (farinha seca) ou com café (café da manhã ou da tarde... qualquer hora no relógio da fome).
Somente raras vezes, dessa farinha, era feito um pirão gostoso da galinha que mamãe matava para a visita inesperada, ou para o filho que “fazia anos! (hoje aniversário”); ou ainda para aquele da família que estava doente...
O balanço de cipó, no galho da mangueira, ou do cajueiro, não causava brigas porque a união entre os irmãos de casa e os filhos dos vizinhos, e a obediência aos conselhos da mamãe (conselhos ou chineladas?) eram maiores que as arengas de menino.
No galho mais alto da mangueira o galo campina não podia esconder seu ninho porque os filhotes, tão logo fossem descobertos, iriam, coitados, morrer “empapados” com pirão de milho ou de farinha, na gaiola improvisada numa cabaça que a titia mandava do sertão.
A madrinha tinha a mesma autoridade da mãe. E na hora das conversas de gente grande, na beira do riacho, a meninada tinha de sair de perto e ficar calada como se nada escutasse. Não podia perguntar, nem se intrometer. _ Era feio e dava peia! _
O “chiqueiro” das galinhas era bem varrido, porque ali era a casa da família de gente miúda, em que o “pai” ia para o trabalho, o “filho mais velho”, fazer compras na bodega do Geraldo (com dinheiro de folhas verdes); a “mãe” cuidava do “filho doente” e a “filha” era “aluna” da professora “Candinha” que morava na vizinhança e dava aulas em casa para os filhos das “comadres”.
E nesse faz de conta tudo era alegria com sabor de vida boa...
E a vida era apenas sonho. Sonho que de noite era ilusão e de dia era verdade. Sonho lindo que o tempo levou para não mais devolver, através dos anos que vieram a galope, trazendo, as rugas do rosto, o peso da realidade tão diferente da fantasia, e a triste certeza de que: Vida assim? NUNCA MAIS!...

Rosimar Brito

MEU CISNE

(Para Chrísley Dárcia)

Na magia do sonho, ela é a minha Alice.
Alice enfeita seu Reino Encantado, penetra o âmago da alma e extasia o olhar.
No mundo mágico e maravilhoso da música clássica seu corpo garboso de moça bonita e de mulher-menina, em ritmo harmonioso, lânguido e majestoso, desliza, flutua, encanta e fascina.
Com graciosa leveza corta, velozmente, o suntuoso espaço, sem qualquer embaraço, tranqüilamente invade a sensibilidade de quem se deleita com tanta beleza.
Na ponta dos pés e no frufru da saia de véu está toda a riqueza, magia e nobreza da arte animada que Alice desenvolve com a faceira meiguice de uma Fada e a pose elegante de uma Princesa.
Alice reflete, no porte altaneiro e na flexibilidade dolente do corpo dengoso e brejeiro a ternura envolvente da boneca de pano, embalada secretamente pela menina inocente que brinca no coração de donzela adormecido ou escondido no íntimo de cada mulher.
O moço bonito que surge aflito do mundo dos sonhos, espera Alice para o abraço apaixonado. Ela, faceira e provocante, atende ao chamado. Joga-se-lhe aos braços numa atitude de entrega total.
Numa fração de segundos, porém, ei-la que, decidida, livra-se daquele abraço, foge daquele olhar...
Parece assustada vendo-se perseguida, mas continua a fazer seu jogo de sedução, parando junto ao moço galante, toca-lhe a face com um leve carinho. Depois foge correndo, negando-se a aceitar o inocente afago, o breve toque de mãos entre ela e o jovem Príncipe Encantado.
E assim Alice, qual borboleta travessa, ora vai, ora fica em seu eterno revoar no Jardim da Fantasia como se brincando de enganar.
Alice é estátua e liberdade; é gaivota e é pião; é sonho e realidade. Não pára, não ri, não canta. Só baila e encanta. É Cisne Branco no lago azul da Poesia.

Rosimar Brito

CANÇÃO PARA A MAMÃE

(Paródia)

A você, mãe adorada,
Mui querida fada
Nossa saudação
Vamos cantar com alegria
E mostrar neste dia
Nossa gratidão.

És nosso amor preferido
O ser mais querido
Em nosso coração
És um lindo ser de luz
Que ao céu nos conduz
Com dedicação

Nós te adoramos, mãezinha
És santa e Rainha
De Deus criação.

Recebe, então, mamãe,
Nesta canção
Nosso carinho
E afeição.

Por teu amor, mamãe,
E doação
Muito obrigado
De coração!

Rosimar Brito

PAI

Herói
Amigo
Cidadão.

Na estrada
No batente
Na cadeira da varanda
No frio banco da praça
Seja em que espaço for
No jardim, regando a flor
No quintal colhendo o mel
Pai
Herói
Amigo
Saudade
Quando a realidade
O joga nos braços do Grande Pai.

Companheiro,
Sustentáculo,
Apoio, porto seguro,
Estrela, espelho, certeza,
Luz,calor, colo, carinho,
Conforto, fé, esperança,
Confiança no caminho.
Firmeza, luta, coragem, cumprindo sua missão.
Segurança na viagem
Força e determinação
Se já no andar de cima
Lembrança, vida e rima
Da melhor canção.

Rosimar Brito

PROMESSA

É tempo de saudades. O morangueiro está vivo e bonito, mas ainda não me deu seu fruto
Doce como aquele sorriso e vermelho como aquela paixão pela vida...
É tempo de saudades. Passam dias, passam meses, passam os anos e a dor não passa.
Como não reviver (mos) em lágrimas aquele dia fatídico, inesquecível?

Mas eu sei que estás bem porque plantaste otimismo e semeaste alegria em nossos corações. (teus filhos, irmã, netos, genros, noras, sobrinhos, primos) e também dos teus amigos, mesmo aqueles que não cumpriram as promessas que te fizeram.

Sei que ainda és o mesmo Zé de Negro
Exemplo de paz
Grande pai
Que saudade!

Ainda bem que existem
As plantas, as flores,
Os pássaros e a praça
Com suas cores e o seu jardim

Ainda bem que existem as músicas,
Cores, perfumes
Que nos invadem a alma
E nos enchem de lembranças.
Lembranças bonitas
Porque no Céu não existem lágrimas
Nem calendário
Por isso tentaremos sorrir
Nesta outra data do teu aniversário.

Aqui estou eu, sozinha, repleta de saudades
Dos meus filhos e de alguns amigos,
Entre os quais, esse pai maravilhosos
Um dos melhores homens que já conheci
E que, além de ser meu amigo, também nasceu
Na data em que eu nasci.

Rosimar Brito

FLOR – SAUDADE

Eu te vi chegar
Trazendo um sorriso
E o Paraíso
Em teu olhar.
Mas o Destino quis
Mudar tua vida
E eu te vi, sofrida,
Partir a chorar,
Deixando o silêncio
Em teu lugar.

E na solidão
Que deixaste aqui
Ficou o jardim
E o colibri
Para beijar a flor
E falar de ti
Ficou a réstia de sol
Que na varanda se instalou;
E a borboleta
Travessa e mimosa,
Para completar
A beleza da rosa
Que tua mão
Meiga e carinhosa
Um dia regou.

Ficou o passarinho
Que saindo do ninho
Feito no telhado
(hoje reformado)
vem brincar na janela
e aquela estrela
a piscar na amplidão;
e a melodia da linda canção
que invadia a rua
nas noites de verão
(Eu tinha uma andorinha
que me fugiu da gaiola)
na voz do teu irmão _João _
enchendo de emoção
e de poesia
as noites de luar.

A casita fechada
A lamentar, calada,
A ausência tua,
Mostra tua imagem
Contemplando a rua

E no jardim florido
Onde tu plantaste,
Antes de partir
O teu coração,
Como viva prova
De tua amizade
Uma flor brotou
A flor da SAUDADE.

Rosimar Brito

CASTIGO

Quanta tortura
Para escrever
Um verso!

Mas também
Quem mandou
Meter-me a poeta
Só para sofrer?

Rosimar Brito

LAMENTO

Tantos castelos no ar!
Tantos mistérios e paixão!
Tanto sonho
E falsas juras de amor!
E hoje
Ele nem sequer
Lembra mais que existo...

Rosimar Brito

VOLTA

Ele sabia do meu amor
Vieram as promessas
As juras
E o “arrependimento”
E o meu coração
Não resistiu...

Rosimar Brito

CANÇÃO DO POETA

No galho da roseira
A crisálida se fez Poesia

Uma criança brincava no jardim
Viu, na metamorfose,
O milagre da vida
E, ao descobrir
O segredo da borboleta
Virou poeta.

Os dois se apaixonaram
E voaram juntos.

Mas o poeta cresceu...
Cresceu...
E um dia
Desapareceu

A borboleta ficou triste
Mas continuou a compor,
Sobre as flores,
A canção do poeta.

E baila... baila...
E voa... voa...

Rosimar Brito

CRISE

Não lamentes, poeta,
A revelação da flor.
Guarda no peito do amigo
A lembrança
De uma Rosa viva
Que o Mar
Em tormenta
Levou.

Não te assustes, poeta,
Se a flor mostrou seus espinhos
Se ela perdeu a ternura
Foi a frieza dos tempos
Ou a aspereza da mão
De algum jardineiro
Sem alma e sem coração.

Não te incomodes
Com a falta de candura
E de alegria da flor
É que ela está descobrindo
Que só os mortos
Falam as suas verdades.

Rosimar Brito

SONHO DE LUZ

VOCÊ PÔS BRILHO
NA MINHA ESTRELA
PÔS CALOR NO MEU SOL DE AGOSTO
E TERNUIRA NO MEU OLHAR.

ABRIU MEU ROSTO
NUM LARGO SORRISO

VOCÊ FOI O MEU PARAÍSO
MEU CÉU
E MEU LINDO MAR.

Rosimar Brito

POEMA VIVO

Passarinho, passarinho!
Não me insultes, passarinho!
Não brinques nem cantes
No galho seco da laranjeira
Que eu posso não resistir
À tanta beleza,
À tanta poesia
E por causa dessa tua brincadeira
Dessa tua teimosia
Eu venha a ser tentada
A escrever um poema
Ou a compor uma canção
Sem nota,
Sem tom,
Sem ritmo
Mas com toda a ternura
Que expresse a minha emoção.

Rosimar Brito

REMÉDIO

O QUE FAÇO QUANDO ESTOU TRISTE?
LEIO POESIA
ESCREVO POESIA
COMO POESIA
BEBO POESIA
DURMO POESIA
SONHO POESIA
ACORDO POESIA
BUSCO POESIA
E VIVO POESIA.
Rosimar Brito

FLOR AZUL

Flor menina
Pequenina
Frágil
Indefesa
Vestida de céu
E não de purpurina.

Nascida em qualquer jardim
MIOSÓTIS – POESIA
“Não- te- esqueças- de- mim”!

Miosótis, flor que tem
A cor da felicidade
Poesia é remédio doce
Quando a vida está amarga
Como se antídoto fosse
Contra a dor, o desatino,
Que num coração-menino
Semeia grande amizade.

Poesia é miosótis
Semeada por aí
Nas praças, ruas, jardins,
Nos charcos e nos quintais
Contando histórias da vida,
Construindo identidade
E resgatando valores
De nossa sociedade
Cultivando em nossas almas
Paz, solidariedade
Dando bom exemplo aos jovens
E aos velhos companhia
Com prazer e alegria
Muita força de vontade.

Rosimar Brito

FLOR DO LUAR

Aqui tudo é paz
Serenidade
Sussurram as matas
Cantam as cascatas
Tranqüilidade

Neste Jardim de Areias
Não temos flores de vidro
Nem coloridos cristais
Mas um recanto sereno
Para muitos madrigais.

Aqui a vista é mais bela
A canção mais poesia
No meio da serrania
Nesta verde aquarela
Andorinhas e pardais
Tornam mais linda esta terra
Ao amanhecer do dia.

Sabiás e beija-flores
Fazem festa no jardim
Borboletas coloridas,
Travessas e graciosas
Brincam livres entre rosas,
Lírios, violetas, jasmins.

À tardinha, um sol faceiro
Pinta de fogo o terreiro
Incendeia o horizonte
E lá por detrás do monte
Uma Lua prateada
Que vem brincar no quintal
Descortina a janela
Da noite silenciosa
E, do alto, majestosa,
Contempla o bosque sombrio
Qual Cinderela fogosa
Vem contemplar-se no rio,
Onde expõe sua beleza.

E do que somos ou temos
A culpa ou mérito devemos
À mulher-mãe-natureza
Que em seu ventre gerou
A vida e aqui pintou
Este quadro tão perfeito
Que se retrata na pena
Dum poeta sonhador.

Rosimar Brito

PÁGINAS SOMBRIAS

Só muita amargura
Ternura
Esconde-se ou se retrata
Nas linhas que rabisquei.

Falta a metáfora
A fantasia
O colorido
Para dar a beleza exigida pela poesia
Que dorme dentro de mim
Num lugarzinho
Bem escondido
Qual violeta
Em florido jardim.

Rosimar Brito

(IN)CONSEQUÊNCIA

Se houve crescimento não sei
O certo é que a mudança aconteceu

Se foi transformação não percebi
Mas com a experiência aprendi:

Amor para despertar
Amor para conhecer
Amor para sonhar
Amor para sofrer.

Amor para acordar
Amor de ocasião
Amor para se perder
Amor decepção.

Amor, pura ilusão
Amor oficial
Amor compreensão
Amor doce ideal.

Rosimar Brito

ANTES DO FIM

Antes que eu seja infeliz
Se é que um dia o serei
Preciso te falar dos meus projetos
Dos meus silêncios
Dos meus sussurros
Comigo mesma
Por falta de ouvidos
Abertos e voluntários
Para escutarem os meus “entalos”.
Muitas vezes e muitas vozes calei
Para que volte o sabiá
Vou espalhar frutas maduras
Pelo meu quintal
Porque somente o olhar
Afetuoso e companheiro
Do gato malhado de ouro e paz
Não me bastam...

Enquanto em meus ouvidos
Penetram os sons de músicas preferidas
Fazendo chorar de saudade
Meu coração cansado de solidão
Eu agradeço a Deus
E a quem entende esta minha
Tão incômoda emoção.

Rosimar Brito

OFICINA

Inspiração.
A musa existe
E exige.
A musa usa
E abusa
Poesia é curva
É abismo.
Poesia é vôo livre
É aclive
É declive.
Assim é Poesia
Poesia é assim...

Rosimar Brito

DESCOBERTA

Quando me falavas de tuas reticências
Eras quase um menino
Descobrindo a vida
Construindo sonhos
Querendo aprender
Tentando acertar.

Envaidecida pelo teu respeito e admiração
Eu quis te mostrar minha experiência
Indicar-te o caminho
Te dar meu carinho
E minha atenção.

Tornei-me tua amiga
Fiz até confidências
Tu, só um garoto
E eu, mulher pronta.
Éramos parecidos
Em nossas aspirações
Precisávamos de afeto
E consideração.

O tempo foi passando
E com ele mudando
A minha história
E o teu destino
História de mulher;
Vida de menino
E cada um seguindo
Numa direção
Vamos tocando a vida
Driblando a ilusão.

Aquele menino
Depressa cresceu
Encontrou o caminho
Descobriu sozinho
O segredo da vida
E as armadilhas do coração
Encarando a sorte
E os desenganos
Aquela mulher
Tão segura, outrora,
Já não tem agora
Os seus verdes anos

Rosimar Brito

A OUTRA ESPINHA

Existe uma espinha
Que dói em minhas costas
Meus olhos não a vêem
Minha mão não a alcança.

Existe uma espinha
Que enfeia o meu rosto
O espelho denuncia
Sua inflamação.

Marcas e cicatrizes
Podem ser disfarçadas
Espinhas no rosto
Ou nas costas
Podem ser extirpadas

Suportar a dor
E o incômodo desse ato,
Adianta

Mas o que fazer
Com a espinha
Que está atravessada
Em minha garganta?

Rosimar Brito

APREÇO

Repreenda-me, se necessário,
Mas não precisa magoar-me.
Eu já sei
Que estou pagando
Pelos meus deslizes
Ou enganos do passado.
Não justifico meus erros
Não lamento meus fracassos
Pois eles aconteceram
Acontecem
E acontecerão sempre
Por circunstâncias
Maiores que a minha
Vontade de acertar

Rosimar Brito

ATITUDE DO GUERREIRO

Cada homem traz consigo
A chave da própria felicidade
Resta-lhe, somente, ouvir a voz interior
Levantar-se da queda e retomar
O caminho de volta, a sua verdade
Sem fugas e sem medos


Cada etapa de nossa vida
É um livro em branco
Se a escrevemos com a tinta da Fé
A nossa história fica mais bonita
Realizando, no mundo, a nossa missão.

Basta acreditar e agir
Resolutamente, na vida
Insistir em ser feliz
Tomar para si, sob as bênçãos do Pai
O direito e o dever de ter e ser.

Rosimar Brito

A PRAÇA

Por fora
Quem passa
Só vê que a praça
É cheia de graça.

Mas é labirinto
Onde o Minotauro
Deixou seu odor
Ave, Maria!
Que cheiro horrível!

E Nossa Senhora
Mostra aos caminhantes
Que aquele mau cheiro
É cheiro de gente
É cheiro deixado
Por um dos seus filhos.

Memória na Praça
Lembranças na Praça
Quanto custou a Praça?
Quanto gasta a Praça?
Quem cuida da Praça?
Para que(em) serve a Praça?
Qual o nome da Praça?
Quem lucra com a Praça?

Será que esse labirinto tem saída?
Para que serve um labirinto?
Quem é o Minotauro?

Em meio à reza
A voz do povo;
Em meio ao barulho
O silêncio da dor.

Nossa Senhora!
Quem fez a desgraça
De sujar a Praça
Que para quem passa
É uma grande obra
É mesmo uma graça?!

Rosimar Brito

ATO DE CORAGEM

Deixe que eu conduza
O meu próprio destino
Carregando ou não
O peso de uma dor
Deixe que eu, sozinha,
Trilhe o meu caminho.
Meu coração –menino
Não quer mais viver
Refém de mentiras
Nem quer repetir
Tudo que um dia
Sofreu por amor.

Minh’alma ferida
Não quer mais sentir
Aquilo que outrora
Sofreu por alguém.
Dos meus desenganos
Ela sabe quem
Sem dó nem piedade
Foi o causador.

Mau corpo cansado
De tanto esperar
Por falsos carinhos
Agora aprendeu
Que é melhor arder
Em chamas de saudade
Do que repetir
O que um dia sofreu.

Rosimar Brito

VIAGEM

Quando chegar a hora do adeus
Não sei qual de nós dois
Acenará primeiro
Mas façamos um pacto:
Quem antes sair
Não olhará para trás.

Se eu me for
Antes de ti
Deixar-te-ei
Um punhado de poemas
Que falam do que sofri.

Se fores antes de mim
Deixar-me-ás tua história
Escrita com lágrimas de sangue
Nas paredes do meu coração:
“Era uma vez um Rei
que não sabia amar...”

quem de nós dois for primeiro
deixará a porta aberta
e caminhará rumo ao vento
deixando marcas na areia
para poder ser seguido
quando chegar o momento
do outro pedir passagem

Rosimar Brito

AVISO

Se em silêncio eu me for
E se tempo eu não tiver
Para dizer-te adeus
Antes de ir me encontrar com Deus
Diga ao mundo
A causa da minha dor
Mas não conte, por favor,
A ninguém, a ninguém mesmo,
O meu segredo de amor.

Não é por mim,
Nem por ti
Mas por quem, de fato, amei
Que te peço, confiante,
Não deixe que ninguém saiba
Do amor que te segredei.

Mas se por acaso tiveres
De jurar frente ao juiz
Que falarás a verdade
Do amor que te revelei
Na confissão que te fiz
Diga a todos que esse amor
Fez-me viajar feliz
Rumo à eternidade.

Meu destino eu escolhi
E muito, muito aprendi
Não me arrependo de nada
Do que ganhei ou perdi.

Rosimar Brito

ARTE VIVA

Poeta
Não
Tem

Disciplina.

Escrevo
Quando
As
Palavras
Me
Insultam.

Rosimar Brito

ÚLTIMO ATO

Quando cair o pano
E o teatro me fechar
A última porta,
Não quero ouvir aplausos
Porque estarei
Encenando outra peça
Do outro lado do palco.
O espetáculo continua
Além da vida
Apesar da dor
E do desamor.

Rosimar Brito

REVISÃO

Abra, outra vez,
As cortinas:
Marcas
Poesia
Momentos
Semente
Mosaico
Silêncio...
Em momentos especiais
O silêncio diz tudo.
Este momento é especial
ESCUTE
O
MEU
SILÊNCIO...

Rosimar Brito

PACOTI DO MEU TEMPO

Terra virgem – índio ao longe
Terra boa - índio chegando
Terra da gente – índio ficando
Nossa terra – índio habitando
Boa terra – índio feliz
Linda serra – índio vivendo
Pacas na serra – índio caçando
Água cristalina – índio pescando
Água na serra – boa pra vida

Rio das cotias
Rio das pacovas
Ou das bananeiras
O rio é grande – bom pra nadar
Rio bonito – voltado pro mar

Mata verde – pássaros cantando
Mata virgem – animais brincando
Mata grande – índio festejando
Vida na mata – liberdade
Vida no rio – prosperidade
Serra verdadeira – legitimidade.

Terra linda! – estranho chegando
Terra boa! – estranho ficando
Terra hospitaleira – estranho morando
Minha terra – branco expulsando
Terra minha! – índio lutando
Terra do índio – branco explorando
Terra invadida – índio morrendo
Terra minha – mestiço formando
Terra nossa – escravo chegando

Filho da terra – índio fugiu
Dono da terra – índio morreu
Filho do índio desapareceu
Filho do branco e do negro nasceu
Dono da terra o mestiço ficou
Filho da terra a verdade ocultou
E o filho do filho a História esqueceu.

E a Terra, mãe adotiva, virou povoado
Produziu café, cana de açúcar
E outras culturas
Pelas mãos calejadas
Do trabalhador rural

Nasceu a violência
E fundaram, então,
Um Distrito Policial
No Sítio Pendência.
Construiu-se a Igreja
Vila
Município
Distrito
Cidade
Pacoti, será esta a tua história
Ou será outra a tua VERDADE?

Rosimar Brito

A PRINCESINHA DA SERRA

Nesta terra tudo é paz
Tudo é serenidade
Aqui sussurram as matas
Também cantam as cascatas
Tudo é tranquiliade

Aqui se faz poesia
Quem se lembra
Quem se lembra
Da Professora Duquinha?

“ Pacoti! Pacoti!
Encontrei em tuas verdes colinas
Pacoti! Pacoti!
Em tuas fontes azuis, cristalinas
O feliz segredo
De te amar sem medo
Pacoti! Pacoti!
Que ventura, então, eu senti!

Inda bem criança
Eu tinha esperança
De crescer contigo
No teu seio amigo
Quantos sonhos infantis
E castelos juvenis!

Pacoti! Pacoti!
Tuas flores inspiram ternura
Pacoti! Pacoti!
Minha terra tão boa e tão pura!
Quanto eu já sofri
Bem longe de ti
Pacoti! Pacoti!
Que saudade infinita de ti!

Pacoti, não sei mais
Viver longe dos carinhos teus
Pacoti, por favor,
Dá-me, dá-me o teu solo por Deus!”

De sítio que era Pendência
Passou a Vila de Pacoti
Município e também o Rio
Que na linguagem tupi
É “voltado para o mar”
Também Rio das pacovas
Ou rio das bananeiras
Ou ainda entendido
Por Lagoa das cotias.

É a cidade-esperança
Dos paus d’arco e das boninas
A Princesinha da Serra
Onde o azul do céu se encontra
Com o verde das colinas
E onde a lua prateia
Da noite o escuro véu

No piano Ir. Teixeira
Ensinando a cantar:
_“Prateia a serra
Tudo prateia
O luar branco
De minha aldeia
Prateia a serra
Tudo prateia
O luar branco
De minha aldeia
O luar branco
De minha aldeia!

Em minha terra
Quando a Lua sobe a serra
A saudade se descerra
Dos confins do coração
A Natureza fica muda, fica presa
Elevada na beleza
Do luar do meu sertão

Prateia a serra...

Pela calada de uma noite enluarada
O magote da boiada
Fica olhando para o céu
Se o vá queiro vem subindo pelo outeiro
Vendo a Lua, sorrateiro,
Ergue a mão, tira o chapéu.

Prateia a serra...

Lá na campina
Quando a Lua se reclina
Geme a pomba, a sururina
Canta e geme o pecuá
Nas bananeiras cantam rolas cantadeiras
Lá no topo das palmeiras
Assobia o sabiá.

Prateia a serra...

Em minha aldeia
Quando brilha a Lua cheia
O maturo sapateia
No requebro do baião
E ao som do pinho
Da viola e cavaquinho
Tudo baila à luz do pinho
Do luar do meu sertão.

Prateia a serra....”

Pacoti dos tempos antigos
Lembra os engenhos
E os verdes canaviais
Que forneciam trabalho
Gerando grandes riquezas
Nos sítios pela destreza
Dos trabalhadores rurais.
Enriquecia o patrão
E trabalhava conformado
O humilde morador
Que obedecia, passivo,
Às ordens do seu senhor.

Terra dos velhos rodeiros
E floridos cafezais
Hoje é o Rei do chuchu
É a terra da banana
Linda cidade serrana
Berço dos nossos ancestrais.

A canção da Pastorinha
Ensinada por Duquinha
Valorizando a cultura
Abrilhantava os festivais:

“Subindo serras, desço ladeiras
Entre as estradas do cafezal
Colho as cerejas rubras, fagueiras
Do meu café, produção rural
Sou bem feliz na minha colheita
Porque o trabalho me dá vigor
E assim a vida corre perfeita
Entre o trabalho e um casto amor.

Minha avozinha que fica em casa
Reza por mim uma oração
No meu lutar me recordo dela
Minha avozinha do coração
Ela me ensina todas as noites
Que devo amar minha Mãe do Céu
E que a pureza de corpo e alma
Para uma jovem é o maior troféu”

Pacoti feito um jardim
De belezas naturais
Cultiva frutas, verduras
Zela seus mananciais
Produz riquezas diversas
E caminha, soberana
Desenvolvendo a Cultura
Resgatando seus valores
Artísticos e tradicionais.

Cidade dos meus sonhos
Cidade dos meus amores
Ainda te vi criança
Semeando esperança
Toda enfeitada de flores.

Berço da minha inocência
No tempo em que bem-te-quis
Do passado restam lembranças
Dos meus sonhos infantis.

Rosimar Brito

BIOGRAFIA

MARIA ROSIMAR BRITO ARRUDA, filha de Bento Luiz de Brito e de Maria Rosa do Nascimento Brito, nasceu em Pacoti-Ceará, aos 23 de dezembro de l951. professora estadual licenciada em Estudos Sociais e pós-graduada em Administração Escolar pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.
Casada e mãe de quatro filhos, reside à Rua Maria de Lourdes Luz, 73, nesta cidade de Pacoti.
Estudou nas três principais escolas desta cidade (Menezes Pimentel – estadual), São Luís – CNEC ) e Instituto Maria Imaculada – particular ) nas quais lecionou em séries, disciplinas e épocas diferentes (Ensino Fundamental I e II, e Ensino Médio (Pedagógico, Contabilidade e Científico).
Exerceu, por três anos a função de Vice-Diretora da Escola Menezes Pimentel e ocupou, por dois períodos consecutivos, o cargo de Diretora de Cultura do Município de Pacoti. Orgulha-se de ter sido a idealizadora e fundadora da I Gincana Cultural e do 1o. Festival Junino deste município.
Afastada de suas funções como Professora Estadual prestou serviço temporário como Professora-Orientadora da Disciplina Ação Docente Supervisionada do Curso de Formação de professores do Ensino Fundamental (1a. a 8a. série) em áreas específicas, do Programa de Licenciaturas Breves da Universidade Estadual do Ceará – UECE.

Rosimar Brito

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